05/09/2008
Estudo de viabilidade para ampliação do Museu
Saiba em qual fase está o estudo de ampliação do Museu Paulista,ícone do Ipiranga
O jornal Gazeta do Ipiranga conversou com exclusividade com a diretora do Museu Paulista da USP, Profa. Dra. Cecília Helena de Salles Oliveira, que explicou em que fase está o projeto de ampliação do monumento histórico, que prevê uma galeria subterrânea para exposições, dois elevadores panorâmicos e a construção de um prédio anexo. A diretora enfatiza que “é preciso adequar o prédio às demandas da sociedade, mas em consonância com os órgãos públicos, a própria Universidade de São Paulo e as associações do bairro”. O objetivo é equacionar a missão de pesquisa, ensino, cultura e extensão de um órgão respeitável como a Universidade de São Paulo, que cuida do Museu, uma missão nada fácil, mas necessária.
A Independência do Brasil, como acontecimento grandioso, merecia uma homenagem e, com esse objetivo, foi criado em 1895, em São Paulo, o Monumento à Independência, que deu origem ao Museu Paulista da Universidade de São Paulo, conhecido carinhosamente como Museu do Ipiranga. Recebendo cerca de 450 mil visitantes por ano, com acervo de 12 mil objetos e 70 mil livros, entre outros itens, o prédio precisou se adaptar ao longo da sua história à crescente visitação. Para se ter idéia do número de pessoas que visitam o Museu e o impacto que isso causa no prédio basta lembrar a previsão para o 7 de setembro de 10 mil visitantes. Trata-se do museu mais visitado da cidade, cerca de 400 mil visitas/ano e os estudos iniciais indicam que se o projeto de ampliação for levado a cabo irá duplicar o público que hoje o visita.
Visando aumentar as áreas expositivas e adequar sua reserva técnica, em 2006 foi proposto um projeto preliminar de ampliação da área, aprovado recentemente pelo Conpresp (Conselho do Patrimônio Histórico de São Paulo) e em processo de estudo para possível execução. Assim, a área do Museu Paulista da USP passaria dos atuais 6 mil2 de área construída para 24 mil.
A idéia de ampliação do Museu do Ipiranga não é nova. O historiador Affonso Taunay, por volta de 1930, quando foi diretor do Museu, considerava o prédio pequeno para tantas atividades. Até porque o Museu foi concebido para ser um monumento, quando construído em 1885, e não para receber tal quantidade de visitantes, após a transformação urbanística da cidade. Posteriormente, um outro professor que lutou para que houvesse a criação de um anexo foi José Sebastião Witter, diretor do museu entre 1994 e 1999, que elaborou uma maquete do prédio a ser construído. A partir de 1990 o debate avançou e foi sugerido uma ampliação na fachada sul do Museu.
O projeto de ampliação atual foi assinado pelos arquitetos Eduardo Colonelli e Silvio Oskman, do Escritório Paulistano de Arquitetura. O desafio é realizar o previsto, respeitando a arquitetura do prédio, projetado entre 1885 e 1890 por Tommaso Gaudenzio.
A planta prevê a criação do prédio administrativo no Parque da Independência, que fica atrás do museu, no qual ficariam salas de aula, a reserva técnica do acervo, os laboratórios de conservação e restauro e os serviços de museografia. Ele seria ligado ao edifício original por uma galeria subterrânea, que abrigaria uma grande área para exposições e um auditório, além de área de descanso e banheiros para o conforto do público. Essa galeria seria iluminada por uma clarabóia. Uma das propostas é a construção de dois elevadores panorâmicos, instalados em torres laterais ao edifício tradicional a fim de facilitar o acesso de portadores de deficiência e pessoas com maior dificuldade de locomoção.
A Profa. Dra. Cecília Helena Salles de Oliveira, atual diretora do Museu Paulista e professora do Programa de Pós-Graduação em História Social da USP, esclarece que o objetivo principal é criar um anexo que possibilite a melhor adaptação dos espaços internos do museu. “O prédio é um monumento, portanto não foi pensado para receber uma instituição pública. Temos limitações não só de espaço, mas de adequação de nossas atividades e reservas técnicas”, explica.
A diretora do museu chama atenção para o fato de que o projeto apresentado é apenas uma proposta de viabilidade e que é necessário que se faça a prospecção do solo e estudos para definir aquilo que será o projeto executivo propriamente dito. Ela ainda ressalta que as negociações são complexas, uma vez que a área do Parque da Independência não pertence à USP, mas à Prefeitura de São Paulo.
A professora Cecília define bem a fase atual do projeto: “o que será pedido é recurso para os estudos necessários para a elaboração do projeto Executivo e a partir dele é que haverá efetivamente um início de intervenção”. Com a captação de recursos será possível fazer um estudo cuidadoso e detalhado como prospecção do solo e análise dos lençóis freáticos. É um projeto que ainda não tem possibilidades de execução e não há data definida para se iniciar esse processo de captação propriamente dito.
Com o aumento do espaço expositivo, parte das coleções guardadas, hoje sem acesso do público, poderá ser visitada. Hoje o Museu do Ipiranga possui 20% de seu acervo exposto, porcentagem média exposta pelos museus em geral, pois expor a totalidade é impossível. Muitas peças – como documentos textuais – podem ser expostas à luz apenas por cinco dias, porque sofrem com a luminosidade.
Hoje o Museu conta com cursos de extensão, capacitação de professores e também oficinas para um público diversificado, como a Terceira Idade e deficientes auditivos e visuais, a cargo de 115 funcionários e monitores.
Restauração – Iniciativa que corre paralela ao projeto de expansão é a de restauração e preservação do edifício centenário. Os estudos para a restauração estão sendo realizados pela Coordenadoria do Espaço Físico (Coesf) da USP. O Museu passa por uma obra emergencial de descolamento de argamassa da entrada.
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