Incêndio destrói quarteirão no Ipiranga

16 09 2011
Explosões e gritos de desespero seguido de um corredor de fumaça escura subindo aos céus. Esta era a paisagem do bairro do Ipiranga na tarde de sexta-feira, 16, quando um grande incêndio rapidamente alastrou-se pela esquina da rua Almirante Lobo com a rua Auriverde, na Vila Carioca. Quase um quarteirão inteiro foi devastado pelo fogo, com a destruição de sete carros, dois caminhões e o pior: três pessoas com queimaduras graves, porém, todas sobreviveram.
Ninguém sabe ao certo como fogo começou, ou seja, se foi no depósito (ou galpão) contendo muita borracha ou se foi em uma indústria química de solventes e componentes de superfície para carros, aviões, indústria de eletrônica e de cosméticos. O incêndio começou por volta das 14h30 e logo se alastrou. Funcionários da Indústria Química Labrits correram para a rua. Devido aos produtos inflamáveis da indústria, o fogo invadiu imóveis comerciais e residenciais da vizinhança, além de consumir automóveis que estavam próximos ao local da tragédia.
De acordo com Luciano Nascimento, auxiliar de expedição da empresa Eletrolâminas, que também foi parcialmente consumida pelas chamas do fogo, tudo foi muito rápido. “Nunca tinha visto algo assim. O fogo se espalhou por todos os lugares”, descreveu Nascimento. Para o agente de viagem Ivo Lopes, que mora nas proximidades, a fumaça preta e densa veio do depósito de esteiras de borracha, que ficava vizinho ao galpão com produtos químicos. “Dá para sentir o cheiro dos produtos. Isso não será esquecido e dará o que falar porque muita coisa foi destruída. É preciso que seja apurado, com rigor, os verdadeiros responsáveis por esta calamidade”, cobrou Lopes.
Na avaliação da microempresária Maria do Socorro de Aquino, que tinha uma oficina mecânica vizinho ao local, esta situação não ficará impune. Ela recordou que os donos da indústria química já lhe fizeram uma proposta para comprar a sua casa. Morando com a filha e um neto, ela se recusou a vendê-la e teve que fugir de casa para não morrer queimada. Dona Maria do Socorro acredita que o risco de incêndio era iminente porque, em muitos dias, o cheiro de solvente, de lubrificante e de outros produtos químicos invadia a sua casa. “Pelo menos consegui sair com o meu neto, mas como vai ficar meu prejuízo?”, questionou Dona Maria.
As explosões se deram por três razões: por conta dos recipientes com produtos químicos, pela rede elétrica e pelo combustível nos carros. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar chegaram rapidamente ao local. Juntos, 135 homens participaram da missão de apagar o fogo – no caso, 95 bombeiros – e de isolar a área: 40 policiais. O major José Marcos Holsapfel, do 46° Batalhão da Polícia Militar, confirmou que três pessoas foram levadas aos hospitais Setúbal e de Heliópolis com queimaduras leves. Os donos das empresas não quiseram se pronunciar sobre quem começou o incêndio.
Quem viveu momentos de horror foi a microempresária Ana Lúcia Gomes de Oliveira. Ela estava na sua empresa, em outro bairro, quando soube do incêndio. “Eu só me lembrei dos meus netos e minhas filhas e vim correndo para o bairro do Ipiranga. Graças a Deus está tudo bem”, disse a jovem vovó emocionada. Já o empresário Gilberto Ferreira, da Eletrolâminas, acredita que o pós-incêndio ainda trará confusões. Ele comentou que perdeu dois caminhões para as chamas contidas pelos bombeiros, que usaram 60 veículos no combate ao incêndio.
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