Barcelona, uma máquina de títulos


Mais uma aula de futebol. Foi assim que o Barcelona conquistou nesta Quarta-Feira (17/08/11) outro título expressivo para o seu recheado salão de troféus. O time é, sem dúvida nenhuma, uma assumidade no velho continente.
Com o Camp Nou lotado, a torcida do barça pode assistir à estréia de Cesc Fábregas, em alto estilo. Os comandados de Pep Guardiola não deram chances ao maior ríval e ganharam, pela décima vez a Supercopa da Espanha, ao ven cer o Real Madrid, pelo placar de 3x2. Com este feito, a hegemonia passa a ser agora do Barça. O Real têm uma conquista a menos. No entanto, é a primeira vez que o time merengue perde. As duas equipes já haviam se encontrado em quatro oportunidades (1988, 1990, 1993 e 1997), mas até então, o atual campeão espanhol e da Liga dos Campeões não havia sentido o gostinho de saborear o título.
Em um jogo pra lá de disputado, os donos da casa saíram na frente do placar, com o gol marcado por Iniesta, aos 14 minutos do primeiro tempo. Mas o time de José Mourinho não demorou a igualar, com o tento marcado pelo português Cristiano Ronaldo, cinco minutos depois. Aos 44 minutos a estrela de Messi começou a fazer diferença. O argentino fez um golaço e deixou o Barcelona em vantagem, para a etapa final. Quando as duas equipes retornaram do intervalo, o que se viu foi um jogo mais pegado. Com inúmeras disputas pela posse da bola, o time do Real melhorou seu desempen ho e conseguiu o empate, após grande jogada de Kaká, que cruzou, na medida para o gol de empate, assinalado pelo francês Benzema, aos 36 minutos. Contudo, a genialidade de um craque sempre fala mais alto. Quando todos já esperavam pelo término da partida, Messi faz todos se curvarem ao seu talento e, aos 42 minutos fecha a fatura, quebrando o incômodo tabú.
Após o apito final, uma confusão ofusca a comemoração do título. Jogadores do Real Madrid e o técnico José Mourinho partiram para cima dos rivais e também da arbitragem. O clima ficou muito tenso, mas os ânimos foram se acalmando e o tom da festa voltou a reinar no tradicional estádio, com o capitão Xavi levantando a taça de campeão.
Faço aqui uma breve ressalva. Já assisti grandes equipes, com seus variados estilos de jogo. Porém, o Barcelona é um time que sabe unir o poder de marcação com a sapiência de um futebol arte. É impressionante o que essa equipe joga. Todos pensam no cole tivo. São peças de uma engrenagem, em perfeito funcionamento. Os toques de bola rápido e envolvente fazem os próprios adversários a repensarem o conceito do futebol. Diversos treinadores citam o barça como uma verdadeira escola.
O futebol, de uma maneira geral, caminha na contramão desse modelo. Primeiro, em virtude da questão financeira. Depois, é quase que impossível arraigar uma equipe no mesmo formato de escalação, por anos e anos. No caso do time catalão, isso foi possível.
A cada competição que disputa, vem a certeza das glórias. Isso não é simplesmente uma equipe, mas, com certeza, uma "máquina" de títulos. A supremacia do Barcelona no futebol europeu parece não ter fim. Bom para o amante do grande espetáculo e excelente para o futebol, que hoje é visto, acima de tudo, como um negócio dos mais lucrativos do esporte.
O Barcelona ainda nos remete ao amor pela camisa. Que esse sentimento perdure por muito tempo.

Texto: Alexandre Cardillo
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